Caso Master explode no STF: relatório da PF revela mensagens envolvendo Vorcaro e Moraes
Itaperuna 02 de setembro de 2026
Documento de 218 páginas foi tornado público por decisão de André Mendonça e revela contatos de Daniel Vorcaro com número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes às vésperas da prisão do banqueiro
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de um relatório de 218 páginas produzido pela Polícia Federal a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O documento reúne mensagens, registros de encontros, chamadas e arquivos encontrados no aparelho apreendido quando Vorcaro foi preso, em novembro de 2025, durante a Operação Compliance Zero.
Entre os elementos que mais chamaram a atenção estão mensagens enviadas por Vorcaro a um número identificado no aparelho como pertencente ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo a análise da Polícia Federal, o banqueiro demonstrava preocupação com o avanço das investigações e procurava informações sobre possíveis medidas contra ele.
Em uma das mensagens, enviada pouco antes da prisão, Vorcaro teria perguntado se deveria deixar o país. O relatório, contudo, não apresenta todas as respostas atribuídas ao contato de Moraes, pois parte da comunicação teria ocorrido por meio de mensagens de visualização única. Isso impede, até o momento, a reconstrução completa dos diálogos.
Contrato milionário também aparece no relatório
A investigação também analisou um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia Barci de Moraes, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
De acordo com os documentos divulgados, o contrato previa pagamentos milionários pela prestação de serviços jurídicos. A Polícia Federal também encontrou uma versão da minuta com registro de edição atribuído ao usuário “Ministro Alexandre de Moraes”.
Em nota divulgada à imprensa, o escritório afirmou que teria consultado o ministro apenas para verificar a existência de eventuais impedimentos legais ou conflitos relacionados a processos em tramitação no STF.
Estrutura conhecida como “A Turma”
Outro ponto investigado no Caso Master é a possível existência de uma estrutura chamada de “A Turma”. Conforme informações presentes na apuração, o grupo teria sido utilizado para monitorar pessoas, intimidar adversários e obter informações consideradas sigilosas.
Esses elementos fazem parte de uma investigação mais ampla e ainda precisam ser submetidos à análise do Ministério Público e do Poder Judiciário.
PGR pede anulação do relatório
A divulgação do documento também abriu uma disputa dentro das instituições. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do relatório e a extinção da ação.
Para a PGR, André Mendonça teria determinado uma investigação contra outro integrante do STF sem a autorização do plenário da Corte. Gonet sustenta que uma apuração envolvendo ministro do Supremo precisa obedecer às regras específicas de competência.
Mendonça, por sua vez, pretende levar a discussão ao plenário do STF. Caberá aos ministros decidir sobre a validade do relatório, a continuidade da apuração e os próximos passos do caso.
Caso ganha dimensão institucional
A divulgação das mensagens ampliou a repercussão política e jurídica do Caso Master. O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil defendeu uma investigação rigorosa, independente e imparcial sobre os fatos revelados.
É importante destacar que o relatório policial apresenta elementos e indícios reunidos durante uma investigação. O documento, isoladamente, não representa condenação nem conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal das pessoas mencionadas.
O caso segue em andamento e poderá ganhar novos desdobramentos após a manifestação do plenário do Supremo.
