Passageiro paga mais e leva menos: companhias aéreas agora cobram até pela bagagem de mão
Itaperuna 14 de outubro de 2025
As companhias aéreas estão conseguindo o que parecia impossível: cobrar mais e oferecer menos. Depois de transformarem o despacho de malas em serviço pago, agora chegou a vez da bagagem de mão entrar na lista das tarifas adicionais. A Gol estreia nesta terça-feira (14) um novo modelo de passagem “mais barata”, mas que na prática retira direitos básicos do passageiro.
A nova regra
Na nova modalidade, o passageiro não poderá levar mala de mão, apenas uma bolsa ou mochila pequena que caiba embaixo do assento da frente. Ou seja, o espaço superior da cabine — onde normalmente ficam as malas pequenas — será reservado apenas a quem pagar tarifas mais caras.
A promessa das companhias é de oferecer “passagens econômicas”, mas o desconto vem com um alto custo: menos conforto, menos praticidade e mais burocracia.
| Tipo de tarifa | O que pode levar | Observação |
| Mais barata | 1 item pessoal (mochila pequena ou bolsa) | Sem mala de mão e sem despacho |
| Intermediária | Item pessoal + mala de mão | Pode despachar malas pagando à parte |
| Mais cara | Item pessoal + mala de mão + despacho incluso | Valor mais alto, mas com benefÃcios antigos |
“Mais barata” só no papel
As empresas tentam vender a ideia de que o novo formato vai “democratizar o acesso às passagens”. No entanto, o que se vê é o contrário: um modelo de cobrança disfarçado de economia.
Antes, qualquer passageiro podia levar gratuitamente uma mala de até 10 kg na cabine. Agora, esse mesmo benefício virou um privilégio pago à parte.
Com os preços das passagens nas alturas, a justificativa das companhias soa como deboche. Em muitos casos, o valor total — somando as taxas para levar bagagem — fica igual ou até maior que o da tarifa anterior.
Na prática, o passageiro paga o mesmo e leva menos.
Mais filas, mais confusão e mais insatisfação
A mudança também deve gerar dor de cabeça nos aeroportos. Passageiros desavisados podem chegar para embarcar com uma mala de mão e serem barrados no portão, tendo que pagar taxa extra na hora — que costuma ser ainda mais cara.
Além disso, especialistas alertam para o risco de atrasos e discussões durante o embarque, já que muitos tentarão burlar a regra.
Enquanto isso, as companhias seguem ampliando cobranças e reduzindo serviços. Um retrato do transporte aéreo no Brasil: menos direitos, mais tarifas e um consumidor cada vez mais sem voz.
Tendência que preocupa
A Gol é a primeira a implantar o modelo, mas LATAM e Azul já estudam seguir o mesmo caminho. Se isso acontecer, a prática deve se espalhar e tornar-se o novo padrão no país.
O resultado será o de sempre: as empresas lucram mais e o passageiro arca com o prejuízo.
