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Terrenos abandonados voltam ao centro do debate em Itaperuna após lei não sancionada e avanço de problemas de saúde pública

Itaperuna 05 de abril de 2026

Itaperuna volta a enfrentar um velho problema que, ao longo dos anos, só tem se agravado: a proliferação de terrenos baldios tomados por mato alto, acúmulo de lixo e, consequentemente, o aumento de riscos à saúde da população. Em diversos bairros, moradores relatam conviver diariamente com áreas abandonadas que se transformaram em verdadeiros focos de sujeira, insetos e animais peçonhentos.

O cenário, que já preocupa há bastante tempo, ganhou novos contornos após a revelação de que uma lei criada no âmbito do Legislativo municipal, voltada justamente para responsabilizar proprietários e permitir maior atuação do poder público nesses casos, chegou a ser aprovada em plenário — mas não foi sancionada pelo então prefeito Alfredão.

Segundo apurado, a decisão de não sancionar a proposta teria evitado desgaste com grandes proprietários de terrenos na cidade, o que acabou travando uma ferramenta importante de ordenamento urbano. Sem a sanção, a lei não entrou em vigor, e o município permaneceu com limitações para agir de forma mais efetiva sobre áreas privadas abandonadas.

Enquanto isso, a realidade nas ruas se impõe. Terrenos sem qualquer manutenção têm servido de depósito irregular de lixo, contribuindo diretamente para a proliferação de doenças como Dengue e Chikungunya, além de favorecer a presença de ratos, escorpiões e outros vetores.

Moradores ouvidos pela reportagem relatam sensação de abandono e cobram medidas mais firmes. “A gente limpa o entorno da nossa casa, mas o terreno ao lado fica tomado pelo mato e lixo. Não adianta. É um problema coletivo que ninguém resolve”, afirmou uma moradora de um dos bairros mais afetados.

Especialistas em saúde pública alertam que a combinação de calor, chuvas e acúmulo de resíduos cria um ambiente ideal para a reprodução do mosquito transmissor dessas doenças. Sem fiscalização efetiva e sem instrumentos legais mais rígidos, o controle acaba se tornando insuficiente.

Do ponto de vista administrativo, o município enfrenta um impasse: não pode simplesmente intervir em propriedades privadas sem respaldo legal claro, e, ao mesmo tempo, não dispõe de estrutura para assumir a limpeza contínua de centenas de terrenos espalhados pela cidade.

O resultado é um ciclo que se repete: terrenos abandonados geram sujeira, a sujeira gera doenças, e a população segue exposta a riscos que poderiam ser minimizados com políticas públicas mais eficazes e respaldo jurídico adequado.

Diante desse cenário, cresce a pressão para que medidas sejam retomadas, seja com a reapresentação de propostas semelhantes àquela já aprovada anteriormente, seja com a adoção de mecanismos que responsabilizem diretamente os proprietários negligentes.

Enquanto isso não acontece, Itaperuna segue convivendo com um problema que deixou de ser apenas urbano e passou a ser, claramente, uma questão de saúde pública.


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