URGENTE:Assessoria exalta alinhamento de Pedro Paulo com Lula, mas onde estava sua articulação diante do veto ao Semiárido?
Itaperuna 23 de agosto de 2026
Após matéria do Blog, assessoria exalta relação de Pedro Paulo com Lula; veto ao Semiárido expõe contradição
Vice-líder do governo na Câmara é apresentado como articulador próximo ao presidente, mas não foram encontrados registros públicos de sua atuação contra o veto que atingiu Itaperuna e outros 21 municípios
Após a publicação da matéria “Lula pede votos para Pedro Paulo, e apoio de políticos de Itaperuna ao candidato entra no centro do debate”, a assessoria de imprensa do deputado federal e candidato ao Senado Pedro Paulo encaminhou uma manifestação ao Blog Flávia Pires.
Na resposta à matéria, a assessoria confirmou e exaltou a relação política de Pedro Paulo com o governo federal liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o posicionamento, “política é feita de relações” e Pedro Paulo seria reconhecido em Brasília por sua capacidade de articulação com diferentes partidos. A assessoria também afirmou que o resultado desse perfil é o bom trânsito do parlamentar nos governos, transformado, segundo ela, em benefícios para a população do estado do Rio de Janeiro, inclusive para Itaperuna.
A manifestação reforça, ainda, que a atuação de Pedro Paulo no município ocorreria não apenas por meio de emendas parlamentares, mas também pela relação com o governo Lula.
A própria resposta da assessoria, entretanto, abre espaço para um novo e necessário questionamento: onde estava toda essa influência quando Lula vetou integralmente o Projeto do Semiárido, que beneficiaria diretamente Itaperuna e outros 21 municípios do Norte e Noroeste Fluminense?
Pedro Paulo já era vice-líder de Lula
Pedro Paulo ocupa a função de vice-líder do governo Lula na Câmara dos Deputados desde 2023. Portanto, já exercia uma posição de articulação dentro da base governista quando o presidente vetou integralmente o Projeto de Lei 1.440/2019, em 7 de agosto de 2025.
A função de vice-líder não é apenas simbólica. Quem ocupa o cargo auxilia na articulação do governo com os deputados, participa da construção de acordos e atua na orientação da base durante as votações.
Se Pedro Paulo possui toda a capacidade de diálogo e influência destacada por sua assessoria, é legítimo perguntar quais esforços foram feitos para impedir o veto presidencial.
O que Lula vetou?
O PL 1.440/2019 reconhecia 22 municípios do Norte e Noroeste Fluminense como área de semiárido e permitia que agricultores familiares dessas cidades tivessem acesso ao Garantia-Safra.
Entre os municípios contemplados estavam Itaperuna, Bom Jesus do Itabapoana, Natividade, Porciúncula, Varre-Sai, Italva, Cardoso Moreira, Laje do Muriaé, Miracema, Itaocara, Cambuci, Santo Antônio de Pádua, Campos dos Goytacazes, São Fidélis e São João da Barra.
O Garantia-Safra é destinado a agricultores de baixa renda que sofrem perdas na produção provocadas pela seca ou pelo excesso de chuvas.
O projeto também criava o Fundo de Desenvolvimento Econômico do Norte e do Noroeste Fluminense, com a possibilidade de ampliar investimentos, crédito e políticas específicas para uma região que enfrenta dificuldades econômicas e climáticas.
A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. No Senado, teve como relator Carlos Portinho, que defendeu os benefícios da medida para os produtores rurais do interior fluminense.
Apesar da aprovação do Congresso, Lula vetou integralmente o texto.
O governo alegou inconstitucionalidade, ausência de estudos técnicos para a classificação dos municípios e falta de estimativa do impacto financeiro das medidas.
Onde estava a articulação?
Depois do veto, prefeitos, parlamentares, entidades e representantes dos produtores rurais se manifestaram publicamente e defenderam a derrubada da decisão presidencial.
No caso de Pedro Paulo, entretanto, não foram encontrados, até o momento, registros públicos de discursos, ofícios, requerimentos ou mobilizações promovidas pelo deputado contra o veto.
Também não foi localizada uma cobrança pública de Pedro Paulo ao presidente Lula em defesa dos produtores rurais do Norte e Noroeste.
Isso chama atenção porque sua própria assessoria utiliza a proximidade com o governo federal como argumento para demonstrar sua capacidade de produzir resultados para Itaperuna.
Se essa influência existe, por que não apareceu publicamente em uma das pautas mais importantes para os agricultores da região?
Pedro Paulo tentou convencer Lula a não vetar o projeto? Procurou os ministérios envolvidos? Conversou com os produtores rurais e prefeitos atingidos? Trabalhou ou continua trabalhando para derrubar o veto?
Veto continua sem votação
O veto presidencial recebeu o número 28/2025 e continua sem apreciação pelo Congresso Nacional.
Deputados e senadores ainda poderão decidir se mantêm ou derrubam a decisão de Lula. Para a rejeição do veto, são necessários pelo menos 257 votos de deputados e 41 votos de senadores, computados separadamente.
Pedro Paulo, portanto, ainda tem a oportunidade de demonstrar se utilizará sua capacidade de articulação para defender os produtores rurais do interior.
Também precisa esclarecer como pretende votar e se mobilizará outros parlamentares pela derrubada do veto.
Relação política também exige cobrança
Na manifestação enviada após a matéria publicada pelo Blog, a assessoria apresentou o alinhamento com o governo Lula como uma qualidade e uma ferramenta para conseguir investimentos e resultados.
Mas toda relação política apresentada como vantagem durante uma eleição também precisa ser submetida à cobrança pública.
Não basta destacar proximidade com o presidente, bom trânsito em Brasília e capacidade de articulação. É necessário mostrar como essa influência foi utilizada quando o próprio governo tomou uma decisão contrária aos interesses do Norte e Noroeste Fluminense.
O veto ao Projeto do Semiárido impediu, até o momento, que agricultores familiares da região tivessem acesso a novos mecanismos de proteção contra perdas provocadas pela estiagem. Também barrou a criação de um fundo voltado ao desenvolvimento regional.
Diante disso, a pergunta permanece: a proximidade de Pedro Paulo com Lula serve para defender o interior do estado quando os interesses da região entram em conflito com uma decisão do governo?
O Blog Flávia Pires mantém o espaço aberto para que Pedro Paulo informe quais providências adotou em relação ao Projeto do Semiárido e declare publicamente como votará sobre o Veto 28/2025.
