Witzel começou com 1% e venceu Eduardo Paes: Douglas Ruas pode surpreender em 2026?
Itaperuna 11 de agosto de 2026
A vitória surpreendente de Wilson Witzel em 2018 mostra que fama, experiência e favoritismo não garantem antecipadamente o comando do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Naquela disputa, Paes entrou como ex-prefeito da capital, experiente, conhecido em todo o estado e tratado como um dos grandes favoritos. Do outro lado estava Wilson Witzel, ex-juiz federal, estreante na política e praticamente desconhecido pela maioria dos eleitores.
No início da campanha, Witzel aparecia com apenas 1% das intenções de voto. Seu nome ainda precisava ser apresentado ao eleitorado, enquanto Eduardo Paes já carregava anos de vida pública, estrutura política e ampla visibilidade.
Parecia uma disputa previsível. Parecia.
Quando as urnas foram abertas, Wilson Witzel terminou o primeiro turno com 41,28% dos votos válidos, mais que o dobro dos 19,56% conquistados por Eduardo Paes. No segundo turno, a surpresa foi confirmada: Witzel venceu com 59,87%, recebendo mais de 4,6 milhões de votos.
O desconhecido derrotou o favorito. E derrotou com uma diferença expressiva.
É claro que 2018 teve circunstâncias próprias. Witzel foi beneficiado pelo desejo de renovação política e pelo movimento fortalecido em torno de Jair Bolsonaro. Cada eleição tem sua realidade, seus personagens e o seu momento. Mas a lição deixada pelas urnas permanece.
Agora, em 2026, Eduardo Paes volta ao cenário como um dos nomes mais conhecidos na disputa pelo Governo do Estado. Do outro lado surge Douglas Ruas, um jovem político que ainda precisa ser apresentado a muitos eleitores fluminenses.
E é justamente aí que a história de 2018 merece ser lembrada.
Isso não significa afirmar que Douglas Ruas repetirá o mesmo caminho de Wilson Witzel. Significa compreender que pouca projeção no início não é sinônimo de derrota. Da mesma forma, experiência, fama e favoritismo não entregam a chave do Palácio Guanabara antecipadamente.
Douglas terá a campanha para percorrer o estado, apresentar suas propostas e mostrar quem é. O eleitor, por sua vez, terá tempo para conhecer um novo nome e decidir se deseja continuar com os personagens de sempre ou apostar em uma renovação.
Eduardo Paes já entrou em uma eleição cercado pela certeza dos outros e pela aparência de vitória antecipada. No fim, descobriu que urna não respeita fama, currículo nem roteiro pronto.
A história não costuma se repetir exatamente da mesma maneira. Mas, de vez em quando, ela gosta de refrescar a memória de quem entra na disputa com jeito de dono da cadeira.
E, sobre isso, Eduardo Paes entende como poucos.
