Itaperuna está entre os piores índices de transparência pública do Noroeste Fluminense, revela levantamento nacional
Itaperuna 02 de junho de 2026
Itaperuna está entre os piores índices de transparência pública do Noroeste Fluminense, revela levantamento nacional
Município obteve nota 0,5501 e aparece ao lado de cidades com os menores desempenhos da região em avaliação que mede a qualidade das informações disponibilizadas à população.
A transparência dos atos públicos voltou ao centro do debate após a divulgação dos resultados do Radar da Transparência Pública, ferramenta vinculada ao Programa Nacional de Transparência Pública (PNTP). O levantamento apontou que Itaperuna está entre os municípios com menor índice de transparência do Noroeste Fluminense, registrando nota 0,5501.
O resultado coloca a cidade ao lado de municípios que também apresentaram desempenho abaixo do esperado, como Bom Jesus do Itabapoana, Porciúncula, Santo Antônio de Pádua, Varre-Sai, Cardoso Moreira, Natividade e Laje do Muriaé.
Para uma cidade que exerce papel de liderança regional e concentra importantes serviços públicos, órgãos estaduais, instituições de ensino e unidades de saúde que atendem toda a região, o índice chama atenção e levanta questionamentos sobre a facilidade de acesso da população às informações públicas.
O que está sendo avaliado?
O estudo analisa critérios considerados essenciais para que qualquer cidadão acompanhe a administração pública, como:
- Contratos administrativos;
- Licitações;
- Receitas e despesas;
- Folha de pagamento;
- Estrutura organizacional;
- Informações institucionais;
- Ferramentas de acesso à informação;
- Dados para fiscalização e controle social.
Na prática, quanto menor o índice, maior a dificuldade encontrada pela população para localizar ou acessar informações consideradas obrigatórias pelos órgãos de controle.
Itaperuna não está entre os piores casos, mas resultado preocupa
Embora o município tenha obtido desempenho superior ao de cidades como Natividade e Laje do Muriaé, o resultado ainda está distante do que se espera de um dos principais polos administrativos do interior do Estado do Rio de Janeiro.
Os números divulgados mostram os menores índices registrados na região:
- Laje do Muriaé – 0,0000
- Natividade – 0,0219
- Cardoso Moreira – 0,3049
- Varre-Sai – 0,4830
- Santo Antônio de Pádua – 0,5064
- Porciúncula – 0,5098
- Bom Jesus do Itabapoana – 0,5398
- Itaperuna – 0,5501
O caso mais crítico foi o de Laje do Muriaé, cuja Câmara Municipal recebeu índice zero, sendo enquadrada no nível considerado inexistente de transparência.
Transparência é ferramenta de fiscalização
Especialistas defendem que a transparência pública é uma das principais ferramentas de combate a irregularidades e de fortalecimento da participação popular.
Quando os dados estão disponíveis de forma clara e acessível, a sociedade consegue acompanhar melhor a aplicação dos recursos públicos, fiscalizar contratos, monitorar gastos e cobrar resultados dos gestores.
Por outro lado, portais incompletos, desatualizados ou de difícil navegação acabam dificultando esse acompanhamento.
Um alerta para Itaperuna
O resultado divulgado pelo Radar da Transparência Pública não representa, necessariamente, irregularidades na gestão municipal. Entretanto, funciona como um importante indicador sobre a qualidade das informações disponibilizadas ao cidadão.
Diante da posição ocupada por Itaperuna no levantamento, surge uma pergunta inevitável:
Por que uma cidade que é referência regional em tantas áreas ainda aparece entre os menores índices de transparência pública da região?
A resposta pode estar justamente na necessidade de aprimorar os mecanismos de divulgação de dados e facilitar o acesso da população às informações que, por lei, devem estar ao alcance de todos.
Mais do que uma obrigação legal, a transparência é um compromisso com a confiança pública. E os números divulgados mostram que ainda há espaço para avanços significativos em Itaperuna e em boa parte dos municípios do Noroeste Fluminense.
