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Unimed do Brasil assume carteira da Unimed Ferj em meio à crise; usuários enfrentam cortes na rede e incertezas no atendimento

Itaperuna 22 de dezembro de 2025

A Unimed do Brasil passou a administrar, a partir desta quinta-feira (20), a carteira de 344 mil usuários da Unimed Ferj, por determinação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A medida ocorre em meio à mais grave crise já enfrentada pela Unimed Ferj, que acumula dívidas bilionárias, sofre uma sequência de descredenciamentos de hospitais e já provoca impactos diretos no atendimento aos beneficiários em todo o estado — inclusive no interior.

Apesar da mudança, não há migração de plano. Os contratos permanecem vinculados à Unimed Ferj, que segue formalmente como operadora, enquanto a Unimed do Brasil assume a gestão assistencial e financeira da carteira, em um modelo classificado como compartilhamento de risco.

Como funciona o novo modelo

Pelas regras estabelecidas pela ANS, a Unimed do Brasil ficará com 93% do valor das mensalidades, percentual que será reduzido para 90% a partir de outubro de 2026. Caberá à confederação nacional administrar toda a assistência aos usuários, incluindo:

  • repasses a médicos e hospitais;
  • autorizações de procedimentos;
  • reembolsos;
  • gestão da rede credenciada.

A Unimed Ferj permanece responsável pelos passivos acumulados, especialmente as dívidas com prestadores e valores em atraso.

Rede credenciada em colapso

O cenário financeiro da Unimed Ferj é considerado crítico. Segundo a Associação de Hospitais do Estado do Rio (Aherj), as dívidas da operadora com unidades de saúde ultrapassam R$ 2 bilhões.

O rombo já levou ao descredenciamento de grandes redes hospitalares, como a Rede D’Or e a Rede Américas. O corte mais recente atingiu 13 unidades da Rede Casa e do Grupo Prontobaby, que suspenderam atendimentos após mais de um ano e meio de negociações sem acordo, citando dívidas superiores a R$ 240 milhões.

Além de emergências e cirurgias eletivas, também foi interrompido o serviço de homecare adulto e infantil, embora cerca de 800 pacientes internados sigam sendo atendidos por força de continuidade assistencial.

Atendimento restrito à rede própria

Diante da redução da rede credenciada, a Unimed Ferj afirma que mantém como referência seus prontos atendimentos próprios, localizados em:

  • Copacabana
  • Barra da Tijuca
  • Méier

O guia médico atualizado segue disponível no site da operadora, mas beneficiários relatam dificuldade para encontrar prestadores ativos. Também não há clareza sobre possíveis mudanças na gestão do Hospital da Unimed, na Barra da Tijuca, arrendado pela Ferj e vinculado à Unimed-Rio.

Impacto chega ao interior: situação em Itaperuna

Os reflexos da crise não se restringem à capital. Em Itaperuna, no Noroeste Fluminense, o Hospital São José do Avaí também suspendeu alguns procedimentos e exames vinculados à Unimed.

Até o momento, não foi informada oficialmente nem pelo hospital nem pela operadora quais procedimentos ou exames estão suspensos, o que tem gerado insegurança e reclamações por parte dos pacientes. Relatos indicam que a orientação tem sido verificar atendimento caso a caso, no momento do agendamento.

Pacientes com consultas, exames ou procedimentos já marcados são orientados a confirmar previamente a realização do serviço, para evitar deslocamentos desnecessários.

Carteirinha segue a mesma

Apesar da mudança na administração, os beneficiários continuam utilizando a mesma carteirinha, com o código 0972, e seguem oficialmente vinculados à Unimed Ferj. Os canais de atendimento também permanecem inalterados.

Mudança nos boletos gera dúvidas

Outra alteração importante envolve a cobrança das mensalidades. A partir desta semana, os boletos passam a ser emitidos pela Solutions BPO de Serviços. A operadora, porém, não esclareceu se boletos já emitidos com vencimento imediato devem ser pagos normalmente ou substituídos por novas versões, o que exige atenção redobrada dos usuários.

Médicos ainda enfrentam atrasos

A transição ocorre enquanto médicos cooperados seguem relatando atrasos prolongados nos pagamentos, situação que já levou parte dos profissionais a restringir ou recusar atendimentos. A ANS informou que os pagamentos futuros passarão a depender da Unimed do Brasil, mas os valores atrasados continuam sob responsabilidade da Unimed Ferj.

Cenário de incerteza

Embora a intervenção tenha como objetivo evitar a interrupção total dos atendimentos, o cenário ainda é de instabilidade. A redução da rede credenciada, a falta de informações claras sobre procedimentos suspensos e as dúvidas sobre cobrança e pagamentos mantêm usuários e profissionais em alerta.

O caso segue sob acompanhamento da ANS. O Blog Flávia Pires continuará monitorando os desdobramentos e mantém o espaço aberto para manifestações oficiais da Unimed, do Hospital São José do Avaí e de demais unidades impactadas.

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