De “não ia nem despachar” a redesenhar o poder: Couto exonera aliados de Castro e puxa nome da gestão Paes
Itaperuna 31 de março de 2026
Para quem era tratado como um governador interino discreto, que sequer pretendia despachar do Palácio Guanabara, Ricardo Couto resolveu mostrar, em poucos dias, que a história pode ser bem diferente.
Uma semana após assumir o comando do Estado, Couto não apenas começou a agir — começou mexendo onde mais dói: no núcleo político do governo anterior.
No Diário Oficial, exoneração a pedido do nome diretamente ligado ao ex-governador Cláudio Castro, o secretário de Governo Jair Bittencourt e peças estratégicas da engrenagem política que sustentava a gestão.
Mas não parou por aí.
Ao mesmo tempo em que desmonta a base anterior, Couto sinaliza um novo caminho ao buscar nomes fora desse grupo — incluindo um integrante com passagem pela gestão do prefeito Eduardo Paes.
O movimento não é simples. E tampouco é neutro.
Nos bastidores, a leitura é direta: não se trata apenas de troca administrativa, mas de reposicionamento político. Ao retirar figuras centrais da articulação do governo Castro e abrir espaço para nomes de outro eixo político, Couto começa a redesenhar o mapa de influência dentro do estado.
A saída de Jair Bittencourt, por exemplo, tem peso. Trata-se de um dos principais articuladores políticos do interior, com forte presença e capacidade de mobilização. Tirá-lo do centro do governo é, na prática, alterar o equilíbrio de forças.
E quando, ao mesmo tempo, surge uma ponte com a gestão de Eduardo Paes, o gesto ganha ainda mais significado político.
O contraste chama atenção.
Quem chegava sob a expectativa de um mandato técnico e discreto agora atua com decisões que impactam diretamente alianças, grupos e interesses consolidados.
Nos corredores do poder, a pergunta já não é mais sobre a postura do interino.
A pergunta agora é outra:
Couto está apenas ocupando o cargo… ou já está jogando o jogo?
