Geração Z faz menos sexo? Pesquisas indicam mudança no comportamento dos jovens adultos
Itaperuna 05 de fevereiro de 2026
Nos últimos anos, pesquisas internacionais têm apontado uma mudança significativa no comportamento afetivo e sexual das novas gerações. Estudos indicam que a Geração Z — jovens nascidos aproximadamente entre 1997 e 2012 — tem tido menos relações sexuais do que gerações anteriores, como os millennials e a geração X.
O fenômeno tem despertado a atenção de pesquisadores, sociólogos e profissionais da saúde, que buscam entender o que está por trás dessa transformação nas relações contemporâneas.
O que dizem as pesquisas
Um levantamento publicado no periódico científico Archives of Sexual Behavior, conduzido por pesquisadores da Universidade de San Diego, nos Estados Unidos, analisou dados de mais de 26 mil jovens adultos entre 18 e 24 anos ao longo de quase três décadas.
O resultado chamou atenção:
- Em 1991, cerca de 6% dos homens jovens declaravam não ter tido relações sexuais após os 18 anos.
- Em 2018, esse número subiu para 28%.
Entre as mulheres, o crescimento também ocorreu, embora em menor proporção.
Outro estudo, realizado pelo Instituto Kinsey de Pesquisa em Sexo, Gênero e Reprodução, aponta tendência semelhante em diversos países ocidentais, sugerindo que os jovens adultos de hoje iniciam a vida sexual mais tarde e mantêm menos relações ao longo da juventude.
Possíveis causas para o fenômeno
Pesquisadores destacam que não existe apenas uma explicação. O comportamento parece ser resultado de uma combinação de fatores sociais, culturais e tecnológicos.
Entre os principais pontos apontados pelos estudos estão:
📱 Uso intenso de tecnologia
A presença constante de celulares, redes sociais e entretenimento digital mudou a forma como os jovens interagem. Muitas relações passaram a ocorrer no ambiente virtual, reduzindo o contato presencial.
💼 Pressão profissional e acadêmica
A geração atual enfrenta um cenário econômico mais competitivo, com maior preocupação com carreira, estudos e estabilidade financeira.
🧠 Maior atenção à saúde mental
Especialistas apontam que jovens hoje discutem mais temas como ansiedade, depressão e autocuidado. Isso pode levar a relações mais cautelosas e menos impulsivas.
❤️ Mudança na forma de se relacionar
Também há um aumento na valorização de vínculos emocionais mais profundos antes do envolvimento físico.
Outro fator citado por especialistas é o maior acesso à informação sobre consentimento, saúde sexual e planejamento familiar.
Segundo pesquisadores, isso pode fazer com que muitos jovens optem por iniciar a vida sexual mais tarde ou com mais critérios, algo visto por parte da comunidade científica como uma mudança cultural e não necessariamente um problema.
Apesar dos dados, alguns especialistas alertam que as pesquisas precisam ser interpretadas com cautela.
Mudanças na forma de responder questionários, maior abertura para falar sobre sexualidade e diferenças culturais entre países também podem influenciar os resultados.
Uma nova forma de viver relações
Para sociólogos, o que se observa não é necessariamente uma “queda no interesse pelo sexo”, mas uma transformação na forma como a geração mais jovem constrói intimidade, relacionamento e afetividade.
Em vez de seguir os padrões das gerações anteriores, muitos jovens parecem priorizar autoconhecimento, estabilidade emocional e qualidade das relações.
Os estudos indicam que a Geração Z pode estar, de fato, vivendo menos relações sexuais do que gerações anteriores. No entanto, para especialistas, o fenômeno está ligado principalmente a mudanças culturais e tecnológicas — e não apenas à falta de interesse em relacionamentos.
