COLUNA OFICIAL – BLOG FLÁVIA PIRES: Nem tudo é pessoal — mas tudo ensina
Itaperuna 02 de fevereiro de 2026
Durante anos, eu observei a política.
Cobri sessões, ouvi discursos, acompanhei bastidores e analisei movimentos. Como jornalista, aprendi a enxergar o que nem sempre era dito — os silêncios mais altos que discursos, os gestos que antecedem decisões, os ruídos que nascem na base da pirâmide.
Mas existe um ponto de virada.
O momento em que você deixa de ser apenas narradora e passa a caminhar no mesmo chão que aqueles que sempre analisou.
E é ali que a política deixa de ser pauta.
Ela vira teste de maturidade.
Na vida pessoal, se alguém te exclui, você questiona.
Se alguém te desrespeita, você resolve.
Se alguém finge, você se afasta.
Na política, não.
Na política, você percebe — e continua.
E isso não é falsidade.
É leitura de cenário.
Ser jornalista me ensinou a identificar gestos sutis: o convite que não chega, a reunião que acontece sem aviso, o sorriso que não sustenta coerência, a narrativa que nasce no corredor.
Mas estar dentro me ensinou algo ainda mais sofisticado: nem tudo que circula é verdade — e nem todo movimento precisa de reação.
A política tem camadas.
“Maturidade política é saber o que ignorar.”
Quem reage na camada errada, perde espaço na camada certa.
Enquanto alguns constroem suposições, decisões seguem outro ritmo nos ambientes de poder. Enquanto tentam medir sua presença nos bastidores, seu nome pode estar circulando onde realmente importa.
Existe uma tensão constante em transitar entre imprensa e política.
A mulher sente.
A jornalista analisa.
A agente política sustenta.
Eu sinto — porque sou humana.
Mas eu sei — porque aprendi a observar.
Nem toda exclusão é desprezo.
Às vezes é insegurança.
Às vezes é disputa.
Às vezes é simples cálculo.
Nem toda simpatia é aliança.
Nem toda crítica é oposição.
A política não me ensinou a ser fria.
Me ensinou a ser consciente.
Presença não se implora.
Se constrói.
Respeito não se exige.
Se impõe pela postura.
E talvez a pergunta que todo agente público precise responder seja simples — e desconfortável:
Você quer ser querida… ou quer ser relevante?
Raramente as duas coisas caminham juntas.
Eu escolhi entender o jogo sem deixar que ele me engula.
Este texto inaugura oficialmente a coluna
“Entre Bastidores e Poder”
no Blog Flávia Pires.
Um espaço para analisar a política além do discurso, com maturidade, estratégia e responsabilidade.
Flávia Pires
Jornalista e observadora ativa da política.
