Cursos de Medicina de Itaperuna recebem nota insuficiente no Enamed e entram no radar do MEC
Itaperuna 20 de janeiro de 2026
Afya Itaperuna e UNIG obtêm conceito 2 em avaliação nacional; situação acende alerta sobre a formação médica no município
Os cursos de Medicina de Itaperuna ficaram entre os que receberam avaliação insuficiente no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), divulgado pelo Ministério da Educação. O resultado coloca o município no centro do debate estadual sobre a qualidade da formação médica e pode resultar em sanções regulatórias às instituições.
No levantamento realizado pelo MEC, 22 cursos de Medicina foram avaliados no estado do Rio de Janeiro. Dez deles receberam conceitos 1 ou 2, patamar considerado insatisfatório. Em Itaperuna, dois cursos aparecem com nota 2: o Centro Universitário de Itaperuna (Afya Itaperuna) e a Universidade Iguaçu (UNIG), ambos abaixo do nível considerado adequado pelo Ministério da Educação.
Além de Itaperuna, também recebeu conceito 2 o curso do Centro Universitário FAMESC (UniFAMESC), em Bom Jesus do Itabapoana. No entanto, é o desempenho das instituições itaperunenses que chama mais atenção, já que o município se consolidou nos últimos anos como polo regional de ensino médico, atraindo estudantes de diversas regiões do estado e até de fora do Rio de Janeiro.
De acordo com o MEC, cursos que recebem notas 1 ou 2 podem sofrer redução de vagas, restrições a programas federais, como o Fies, e, em casos mais graves, suspensão da entrada de novos alunos. Antes da aplicação de qualquer penalidade, as instituições terão prazo para apresentar defesa e planos de adequação.
O caso mais crítico no estado foi registrado no campus de Angra dos Reis da Universidade Estácio de Sá, que recebeu nota 1, a mais baixa da escala, e pode ter suspensão total de novas matrículas.
As medidas foram comentadas pelo ministro da Educação, Camilo Santana, durante entrevista coletiva nesta segunda-feira (19). Segundo ele, a intenção do governo federal é assegurar um padrão mínimo de qualidade na formação médica oferecida no país.
“Não é caça às bruxas, punição de ninguém. É garantir que instituições que cobram do aluno possam ofertar curso de qualidade neste país”, afirmou o ministro.
Criado em abril do ano passado, o Enamed substituiu o Enade na avaliação dos cursos de Medicina. A prova passou de 40 para 100 questões e tornou-se obrigatória para todos os estudantes concluintes. A partir de 2026, a avaliação também será aplicada aos alunos do 4º ano. A escala de notas vai de 1 a 5, sendo 1 e 2 considerados insatisfatórios.
No panorama estadual, os melhores resultados ficaram concentrados nas universidades públicas, que alcançaram conceito 4. Entre as instituições privadas do Rio de Janeiro, apenas a Faculdade Souza Marques atingiu esse patamar. A maioria ficou com nota 3, considerada satisfatória.
O desempenho dos cursos de Medicina de Itaperuna reacende o debate sobre a qualidade da formação médica no interior do estado e os impactos diretos para a população local, que depende desses futuros profissionais para fortalecer a rede de saúde regional. As instituições com conceito insuficiente aguardam agora a abertura do prazo oficial para apresentação de defesa junto ao Ministério da Educação.
