Rio de Janeiro: Crise entre Segurança e Saúde :Secretario de segurança do estado chama secretario de saúde do Rio de MENTIROSO
Itaperuna 19 de setembro de 2025
O clima entre o governo estadual e a gestão municipal do Rio de Janeiro ficou ainda mais tenso após a invasão de criminosos armados ao Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, Zona Oeste, na madrugada desta quinta-feira (18). Os bandidos procuravam Lucas Fernandes de Souza, 31 anos, que havia sobrevivido a um atentado anterior.
O episódio levou o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz — filho do ex-prefeito de Laje do Muriaé, José Eliezer, no interior do estado — a reforçar críticas à política de segurança. Soranz divulgou que, somente em 2025, 516 unidades de saúde da rede precisaram ser fechadas por conflitos armados ou questões de segurança, uma média de mais de uma ocorrência por dia.
Segurança rebate e acusa Soranz de mentir
Em entrevista coletiva no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), na Cidade Nova, ao lado dos secretários de Polícia Militar, Marcelo de Menezes, e de Polícia Civil, Felipe Curi, o secretário de Estado de Segurança Pública, Victor Santos, negou os números apresentados por Soranz.
“O secretário Soranz está mentindo. Ele é mentiroso! Isso não condiz com a verdade. Não existe esse número de ocorrências. Se a gente for apurar, não tem cerca nem de 20% de registros. O secretário tem meu telefone e nunca ligou para pedir apoio. Consideramos isso uma irresponsabilidade, porque gera insegurança e medo na população”, afirmou Santos.
Ele destacou ainda que há policiais militares em todas as unidades hospitalares do estado e do município e classificou a fala do secretário municipal como uma tentativa de transferir responsabilidades.
Soranz rebate e acusa falta de inteligência policial
Durante a reabertura de setores do Hospital do Andaraí, na Zona Norte, Soranz respondeu às críticas.
“O secretário de Segurança parece que não está vivendo no Rio de Janeiro. Se ele acha normal uma unidade de saúde ser invadida com 300 pacientes internados, sem que haja inteligência policial para investigar, ele não está vivendo na nossa cidade. Se não vê unidades fechando diariamente por causa da violência, não está vivendo no Rio”, disse.
Soranz também classificou a política de segurança como vergonhosa:
“O secretário devia ter inteligência para entender o que acontece na nossa cidade e não passar vergonha como passa todo dia com incursões que não levam a lugar nenhum”, completou.
Cremerj cobra explicações
O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) informou que oficiou a Secretaria Municipal de Saúde pedindo esclarecimentos sobre a invasão ao Hospital Pedro II. A entidade exigiu o cumprimento de protocolos de resposta imediata em situações de violência, como controle de acesso e videomonitoramento.
Em nota, o Cremerj classificou como inaceitável a exposição de médicos, profissionais de saúde e pacientes a riscos constantes em locais que deveriam ser de acolhimento e cuidado.
“O Conselho reforça que continuará atuando de forma firme para que normas de segurança sejam efetivamente cumpridas e que os profissionais possam exercer suas atividades com proteção e dignidade.”
