Jovens de preto em Itaperuna: não é o que parece — saiba o motivo da intervenção
Itaperuna 09 de setembro de 2025
Ação Reflexiva – Setembro Amarelo
Setembro é um mês de alerta, um convite à reflexão sobre a vida e sobre a morte. Os alunos do 10º período de Psicologia da UNIFSJ, na disciplina de Tanatologia, trazem um chamado urgente: valorizar cada instante da existência.
A vida é um sopro. Não sabemos a hora, não sabemos o dia. A morte não tem rosto, não tem hora marcada, não escolhe idade, gênero ou classe social. Ainda assim, o Brasil e o mundo enfrentam uma dolorosa realidade: milhares de pessoas interrompem suas vidas através do suicídio.
Por trás de cada caso, há uma história marcada por sofrimento intenso — muitas vezes silenciada pelo preconceito e pela desinformação. O tabu que envolve o tema ainda é um dos maiores obstáculos para quem sofre e para quem tenta cuidar. A falta de informação e de acolhimento pode aprofundar dores já insuportáveis, tornando ainda mais difícil o pedido de ajuda.
É preciso lembrar: suicídio não é fraqueza, não é falta de fé, não é uma escolha simples. Trata-se de um transtorno complexo, marcado por sofrimento psíquico profundo. Acolher, ouvir, orientar e quebrar barreiras de preconceito são atitudes que salvam vidas.
Também é fundamental ter cuidado com as formas de comunicação nesse período. No último sábado, a cidade foi marcada por uma tragédia com mortes violentas que chocaram a população. Paralelamente, circulou nas redes sociais um vídeo de jovens vestidos de preto, encenando a figura da morte em uma intervenção acadêmica relacionada ao Setembro Amarelo. A ausência de informações claras acabou gerando confusão, como se houvesse ligação entre a ação estudantil e os crimes — o que não corresponde à realidade. Esse episódio reforça a importância de transmitir mensagens com responsabilidade e clareza, especialmente em temas tão delicados.
Neste Setembro Amarelo, o convite é simples e poderoso: valorize a vida. Valorize os pequenos gestos, as conversas, os encontros e até mesmo os silêncios. A prevenção passa por cada um de nós, pelo cuidado que oferecemos e recebemos.
Seja luz na vida de alguém. Uma palavra, um abraço, um olhar atento podem ser o fio que mantém uma pessoa conectada à esperança.
Segundo estimativas recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2021 ocorreram aproximadamente 68 milhões de mortes no mundo. Já em 2023, dados da ONU apontam cerca de 60,8 milhões, mostrando que o número continua elevado. Entre essas mortes, milhares são resultado do suicídio — uma realidade que pode ser transformada.
Não ajude a aumentar essa estatística. Saúde mental é uma ação coletiva.
Texto: Mariana Ramos /neuropsicóloga
