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O Peso Invisível que as Mulheres Carregam

Itaperuna 27 de agosto de 2025

Uma escultura em Barcelona tem chamado atenção pela força da mensagem que transmite: uma mulher curvada, carregando nas costas eletrodomésticos, utensílios domésticos, e ao seu redor três crianças que dela dependem. A obra, chamada “El Esfuerzo” (O Esforço), de Jaume Plensa, escancara em bronze aquilo que, no dia a dia, a sociedade insiste em invisibilizar: o fardo das mulheres.


E não se trata apenas de um peso físico. É o peso social, emocional e até biológico que recai sobre elas.

Dentro de casa, o trabalho da mulher continua sendo visto como obrigação, não como trabalho. É uma rotina pesada, repetitiva, sem férias, sem salário, sem reconhecimento. A comida precisa estar pronta, a roupa precisa estar limpa, a casa precisa estar em ordem e os filhos precisam ser cuidados. Tudo isso somado a uma jornada de trabalho fora, necessária para sustentar a família, porque a pensão que muitas recebem não cobre nem de longe o custo de uma vida digna. E ainda assim, o ex-marido acha que “já faz muito”.

Mas o peso não é só social. O corpo da mulher também carrega uma batalha invisível: oscilações hormonais constantes, desde a menarca até a menopausa. TPM, cólicas, gestações, puerpério, mudanças físicas, desgaste emocional — tudo isso num corpo que não tem pausa. E, mesmo nesse cenário, a cobrança continua: ser boa mãe, boa profissional, boa esposa (ou ex-esposa), boa dona de casa, boa em tudo.

Essa cobrança cruel transforma a vida da mulher numa corrida sem linha de chegada. Se trabalha demais, é criticada por “não estar presente”. Se se dedica só ao lar, é julgada por “não ter ambição”. Se se separa, é responsabilizada pelo fracasso da relação. Parece que não importa o que faça, a mulher sempre carrega nas costas a expectativa de ter que dar certo.

A escultura de Barcelona denuncia em pedra aquilo que a sociedade insiste em varrer para debaixo do tapete. Mas não podemos nos contentar em apenas admirar a obra. É preciso discutir o que ela representa. A luta das mulheres não pode mais ser romantizada como “força feminina”. Força não deveria ser sinônimo de resistência silenciosa ao abandono, à sobrecarga e à indiferença.

A verdade é dura: o trabalho da mulher sustenta lares, forma cidadãos, movimenta a economia e garante o futuro de gerações. Mas, ainda assim, segue invisível, desvalorizado e mal distribuído. Enquanto isso, muitos homens se orgulham de “ajudar” em casa, como se a responsabilidade não fosse deles também.

O peso da escultura é simbólico. Mas o peso da vida real é insuportável. E enquanto não houver divisão justa das responsabilidades, políticas públicas que acolham a mulher, e sobretudo uma mudança cultural profunda, esse fardo continuará curvando as costas de milhões.

O esforço da mulher não deveria ser solitário. Deveria ser reconhecido, dividido e respeitado.

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