Aos 47 anos, estudante de Medicina de Itaperuna aprovada em residência no Rio trava batalha judicial por diploma que falta apenas três meses
Itaperuna 08 de fevereiro de 2026
A acadêmica de Medicina Sabrina Germano Monteiro, natural de Itaperuna, no Noroeste Fluminense, vive atualmente uma corrida contra o tempo para garantir o direito de assumir uma vaga de residência médica conquistada por mérito no Rio de Janeiro. Mesmo tendo cumprido mais de 85% da carga horária do curso e apresentado bom desempenho acadêmico ao longo da graduação, ela teve NEGADO pela universidade o pedido de antecipação da colação de grau — faltando apenas três meses para a conclusão oficial do curso.
Sabrina foi aprovada em um processo seletivo nacional para residência médica vinculada à Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-RJ), programa que integra a formação de médicos que atuarão diretamente no Sistema Único de Saúde (SUS) e conta com bolsas financiadas por recursos municipais e federais.
A aprovação ocorreu por meio do Exame Nacional de Residência (ENARE), processo seletivo que reúne instituições de todo o país e exige alto desempenho dos candidatos. Segundo a acadêmica, a inscrição no processo foi permitida justamente por ela já se encontrar na fase final da graduação.
Aos 47 anos, completando 48 neste ano, Sabrina destaca que a conquista da vaga representa a realização de um sonho construído com muito esforço e persistência. Durante a graduação, ela precisou enfrentar desafios financeiros e conciliar os estudos com o cuidado da mãe, que enfrentava uma doença degenerativa.
Apesar das dificuldades, a acadêmica manteve um histórico acadêmico consistente. De acordo com ela, nunca ficou de recuperação em nenhuma disciplina e não reprovou em matérias ao longo da graduação, concluindo o ciclo básico e clínico do curso com média geral acima de 80% nas notas até o início do internato.
Outro ponto destacado é o desempenho no ENAMED 2025, exame nacional que avalia conhecimentos médicos, no qual Sabrina obteve nota considerada proficiente.
Mesmo diante desse histórico acadêmico e da aprovação em um processo nacional altamente competitivo, a universidade negou o pedido de antecipação da colação de grau sob o argumento de que ainda restam três meses para a conclusão formal do curso.
A exigência do diploma para assumir a vaga na residência acabou gerando um impasse administrativo que pode impactar diretamente o futuro profissional da estudante.
Diante da situação, Sabrina decidiu recorrer ao Poder Judiciário e ingressou com um mandado judicial com pedido de urgência, buscando garantir o direito de assumir a residência médica ou obter autorização para apresentar o diploma em prazo compatível com o início do programa.
Casos semelhantes têm sido levados à Justiça em diferentes regiões do país, especialmente quando estudantes aprovados em programas de residência médica enfrentam barreiras administrativas próximas à conclusão da graduação.
A discussão envolve a possibilidade de antecipação da colação de grau quando o estudante já cumpriu praticamente toda a carga horária exigida e demonstra capacidade técnica comprovada, especialmente quando há risco de prejuízo irreversível, como a perda de uma vaga em residência médica.
Além do impacto pessoal, situações como essa também levantam um debate mais amplo sobre a formação de profissionais de saúde no Brasil. Programas de residência médica são considerados fundamentais para a especialização de médicos e para o fortalecimento do atendimento no Sistema Único de Saúde.
Enquanto aguarda a decisão judicial, Sabrina Germano Monteiro segue na expectativa de que a situação seja resolvida a tempo de assumir a vaga conquistada e dar continuidade à sua formação médica.
O caso também reacende uma discussão sobre a necessidade de maior alinhamento entre instituições de ensino superior e programas nacionais de residência médica, de forma a evitar que entraves burocráticos acabem comprometendo conquistas acadêmicas obtidas com anos de dedicação.


