Quando o Atendimento Cura — e Quando Machuca
Itaperuna 17 de novembro de 2025
Nos últimos dias, vivi duas experiências muito distintas que me fizeram refletir sobre o papel do profissional de saúde e sobre o impacto humano que um atendimento pode causar na vida do paciente — especialmente quando falamos de mulheres lidando com questões hormonais.
Quando realizamos exames e buscamos orientação, estamos fragilizadas. Nosso corpo dá sinais que nem sempre entendemos, nossas emoções se misturam, e tudo o que queremos é alguém que nos escute, nos explique e nos acolha. É um momento em que a consulta não é apenas técnica; é emocional, sensível, íntima.
Em uma das minhas recentes tentativas de retorno, fui orientada a apenas deixar meus exames para que fossem avaliados mais tarde, sem previsão de conversa ou explicações. E, quando finalmente consegui a consulta, o atendimento foi rápido, pouco acolhedor e distante — uma sensação que, para qualquer mulher passando por turbulências hormonais, pesa mais do que deveria.
Não menciono nomes, nem entro em detalhes específicos, porque não se trata de atacar profissionais, e muito menos de personalizar a crítica. Trata-se de relatar como, para nós mulheres, o modo como somos atendidas faz toda diferença.
E aqui entra a contrapartida que me fez pensar ainda mais.
Hoje, acompanhei a sobrinha do meu filho em uma consulta na rede SUS. Uma consulta cheia de atenção, delicadeza e humanidade. A médica revisou exames, examinou a paciente com calma, explicou cada detalhe, esclareceu dúvidas e, com muita sensibilidade, abordou a necessidade de uma cirurgia e tudo o que ela poderia melhorar na vida daquela menina.
Foi um atendimento tão completo e tão humano que, sinceramente, emociona. E isso dentro do SUS, onde tantos profissionais fazem a diferença diariamente, muitas vezes com estrutura limitada, mas com vocação e comprometimento de sobra.
Isso tudo me mostrou algo muito simples, mas que muita gente ainda insiste em não enxergar:
não é sobre ser particular, ou plano, ou SUS.
É sobre profissionalismo.
É sobre humanidade.
O paciente de convênio também paga por seu atendimento. O paciente do SUS também merece excelência. E quem busca ajuda, seja em clínica particular ou em consultório conveniado, está sempre buscando a mesma coisa: respeito, clareza e cuidado.
Não existe paciente de segunda categoria.
Existe apenas gente precisando ser bem atendida.
E quando vemos profissionais — em qualquer esfera — desempenhando seu papel com responsabilidade, paciência e empatia, fica claro que o diferencial não está na tabela do plano, nem no valor da consulta.
Está no coração e na postura de quem escolheu cuidar de pessoas.
