Derrota em dobro: Kadu Novaes perde nas urnas e agora na Justiça
Itaperuna 10 de novembro de 2025
A absolvição do prefeito Emanuel Medeiros Nel (PL) e do vice Jair Neto (PL) no processo que acusava a chapa de abuso de poder durante as eleições de 2024 não é apenas um alívio para o governo municipal: é também um duro revés para o ex-candidato Kadu Novaes (Republicanos) e para a coligação “Itaperuna rumo à mudança” que o apoiou.
A juíza Marcela Lima e Silva, da 107ª Zona Eleitoral do Noroeste Fluminense, encerrou o processo ao considerar improcedente a ação por falta de provas. Entre os pontos que fragilizaram a denúncia estão:
- Ausência de comprovação de pagamento, promessa de cargos ou aliciamento — nenhuma testemunha confirmou ter recebido dinheiro ou vantagem.
- As candidatas que supostamente teriam sido beneficiadas disseram que desistiram por motivos pessoais — dificuldades financeiras e falta de apoio partidário — e não por ofertas de cargos.
- A magistrada destacou que trocas de apoio político, por si só, não configuram abuso de poder, pois ocorrem por motivos diversos e legítimos.
Esses elementos, somados, não só encerram a ação judicial, como ampliam o desgaste político de Kadu: a tentativa de fragilizar a chapa vencedora não teve êxito jurídico nem político, e agora oferece munição para críticos e adversários.
O que essa derrota significa para Kadu Novaes
- Perda de narrativa — A acusação era a principal peça da estratégia para desgastar Nel. Com o caso arquivado por falta de provas, a narrativa perde força e credibilidade.
- Imagem pública — Acusações sem comprovação pública costumam desgastar quem as propôs. A coligação e seus líderes precisam explicar as contradições e a falta de evidências.
- Risco de dispersão interna — Se candidatas e apoiadores alegam motivos pessoais e financeiros para desistir, isso indica fragilidade estrutural na base de sustentação do projeto político de Kadu.
- Oportunidade para Nel — A absolvição permite ao governo reforçar a narrativa de legitimidade e normalidade administrativa, transformando o episódio em prova de robustez eleitoral.
Perguntas que Kadu precisa responder — cobrança pública
- Por que a coligação não apresentou testemunhas com provas do suposto aliciamento?
- As candidatas que desistiram receberam algum tipo de compensação material ou oferta formal por escrito? Se sim, por que isso não foi provado no processo?
- Que medidas a coligação tomará para reparar a imagem das candidatas envolvidas — que alegaram problemas financeiros — e qual o plano para fortalecer sua base?
- A coligação vai recorrer ao TRE-RJ ou reconhecer os limites probatórios do processo?
O que investigar/acompanhar a partir de agora
- Verificar documentos de campanha e prestação de contas da coligação para identificar eventuais incoerências.
- Ouvir as candidatas que disseram ter desistido por motivos pessoais — perguntar se houve pressão, promessas ou qualquer negociação.
- Procurar depoimentos de dirigentes partidários sobre o apoio e estrutura oferecida àquelas candidatas.
- Acompanhar possíveis recursos ao TRE-RJ e as justificativas que serão apresentadas.
