Aos 19 anos, filha de deputado vira subsecretária: meritocracia ou influência familiar?
Itaperuna 08 de outubro de 2025
A vereadora mais jovem eleita no Brasil em 2024, Thamires Rangel (PMB), acaba de assumir a Subsecretaria Estadual de Ambiente e Sustentabilidade, deixando a Câmara de Campos dos Goytacazes após menos de um ano de mandato. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (08), ao lado do governador Cláudio Castro e do secretário de Meio Ambiente Bernardo Rossi.
A nomeação, no entanto, reacende o debate sobre a real aplicação da meritocracia na política fluminense. Thamires completou 19 anos em agosto e já ocupa um dos cargos de confiança mais estratégicos do estado, um feito que dificilmente seria alcançado se não fosse filha do deputado estadual Thiago Rangel (Podemos).
Thamires nasceu no meio político e adotou o sobrenome do pai justamente para conquistar espaço eleitoral. Na última eleição municipal, obteve expressiva votação, muito apoiada pela estrutura política e financeira do deputado. Agora, menos de um ano depois, dá um salto para a gestão estadual.
Trata-se de uma ascensão meteórica — e questionável — que lança luz sobre as oportunidades na política: quantos jovens, sem padrinhos influentes, teriam a mesma chance?
A fragilidade da representatividade
A decisão também deixa Campos com uma baixa simbólica: Thamires era a única mulher eleita entre 25 vereadores. Sua saída entrega a cadeira a Rogérão (PMB), primeiro suplente, reforçando a predominância masculina no Legislativo campista.
Enquanto isso, o discurso de valorização feminina na política perde força diante de um cenário em que a jovem parlamentar abdica do papel de fiscalizar e representar os cidadãos de Campos para assumir um cargo de confiança ligado ao governo estadual.
Meritocracia ou privilégio?
O episódio coloca em xeque o conceito de mérito. A ascensão de Thamires pode até ser apresentada como fruto de sua votação expressiva, mas na prática revela como o peso dos sobrenomes e das alianças familiares ainda define os rumos da política local e estadual.
Aos 19 anos, Thamires ocupa um espaço que muitos profissionais, técnicos e militantes da área ambiental jamais conseguiram conquistar. Não por falta de competência, mas por ausência do mesmo sobrenome.
No fim, fica a pergunta que ecoa nas ruas e nas redes: é meritocracia ou apenas mais um caso de herança política travestida de oportunidade?
