Política

A volta dos que não foram: o jiló requentado da velha política em Itaperuna

Itaperuna 17 de outubro de 2025

Em ano pré-eleitoral, não faltam reaparições: tem projeto sério – e tem jiló requentado também.

O calendário eleitoral ainda nem virou oficialmente, mas em Itaperuna já é possível observar um movimento curioso — e típico da velha política. Figuras que estavam em profundo silêncio desde a última eleição voltaram à cena como se tivessem retorno triunfal garantido. Não voltaram por trabalho prestado, nem por novas ideias, muito menos por apoio popular real. Voltaram porque sentiram cheiro de oportunidade.

São os restos do tabuleiro eleitoral: personagens que surgem sempre que acreditam haver brecha para acomodação futura. Gente que não lidera nada, mas quer posar de estrategista. Pessoas que não constroem, mas querem “estar na mesa” quando os acordos começarem. Em outras palavras: sobreviventes políticos que vivem de expectativa, não de resultado.

Enquanto alguns reaparecem com suposta “força”, basta olhar de perto para perceber: não há base social, não há diálogo com a população, não há projeto. Há apenas barulho. Barulho e repetição — na tentativa de transformar presença em credibilidade.

Parte desse movimento ganha força nas redes sociais, espaço onde muitos descobriram que é possível tentar compensar a falta de conteúdo com exposição exagerada. Vivemos a era das narrativas fabricadas, onde um vídeo improvisado e discursos inflamados viram tentativa de relevância. Mas todos sabem: volume não é influência. E curtida não é voto. Fumaça não vira fogo só porque se deseja.

Em conversa recente com este veículo, um ex-candidato de expressão fez uma observação que traduz bem esse momento político:

“Prefiro preservar minha história do que me misturar com gente perdida. Hoje, tem muito amador tentando parecer líder. Política não é desespero, é direção.”

A fala, direta, reflete o pensamento de muitas lideranças que optaram por ficar em silêncio estratégico, trabalhando nos bastidores, sem se misturar com confusão política de superfície. Quem tem caminho não precisa de escândalo. Quem constrói, espera a hora certa.

Enquanto isso, os reciclados de campanha voltaram à ativa. Agora percorrem esquinas políticas, pedem reuniões, tentam uma vaga em qualquer lugar. Inquietos, batem em portas e circulam entre grupos que, no passado, ignoraram. Não por convicção — mas por conveniência. Querem mais estar “em volta” do que ser parte de algo real.

É impossível ignorar o movimento: tentam se aproximar de quem tem mandato, voto ou força regional, orbitando ao redor de quem possui capital político verdadeiro. Até porque sozinhos eles sabem que não chegam a lugar algum. É sobrevivência eleitoral. Sempre foi.

O cenário, porém, é outro. Itaperuna amadureceu politicamente. A sociedade está mais crítica, mais atenta e cansada de oportunismo. O eleitor hoje pergunta: “Representa quem? Defende o quê? Tem histórico onde?” E diante dessas perguntas, muitos desses personagens ficam sem voz. Porque não têm o que responder.

Na vida pública, serviço fala mais alto que discurso. E isso é um fato inevitável. Quem tem resultado aparece naturalmente. Quem tem propósito tem rumo. Quem precisa explicar demais, normalmente está vendendo o que não tem.

A política mudou — pelo menos para o povo. Resta saber quando alguns personagens vão aceitar que jiló requentado ninguém quer de volta no prato. Muito menos no prato político de uma cidade que busca crescimento.

Que venham as eleições de 2026 e 2028. Porque, para muitos, elas revelarão quem tinha projeto — e quem tinha apenas exposição. Quem tinha história — e quem tinha apenas pretensão. Quem tinha gente — e quem tinha apenas pressa.

Editorial – Blog Flávia Pires

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