Setembro Amarelo: Ser agentes de afeto em um mundo adoecido, um mundo que adoece em silêncio
Itaperuna 01 de setembro de 2025
Vivemos em uma sociedade marcada por pressões, desigualdades e dores invisíveis. Adoecemos quando não conseguimos dar conta das expectativas, quando nos sentimos sozinhos mesmo rodeados de pessoas, quando o silêncio parece mais confortável do que pedir ajuda. É como se, muitas vezes, tivéssemos todos os motivos do mundo para desistir.
É nesse contexto que surge o Setembro Amarelo, uma campanha mundial voltada para a conscientização sobre a prevenção ao suicídio. Ele não é apenas um mês de palestras ou laços amarelos; é um chamado coletivo para olharmos com mais atenção para a vida, para o outro e também para nós mesmos.
Por que o amarelo?
A cor amarela carrega significados simbólicos profundos: representa luz, calor, energia e, ao mesmo tempo, alerta. Ela ilumina os caminhos, mas também sinaliza perigo. Não por acaso, o Setembro Amarelo acontece antes das festividades de final de ano, período em que os índices de suicídio atingem seus maiores números.
Enquanto o mundo se prepara para celebrar, muitas pessoas enfrentam um vazio ainda maior — o contraste entre a alegria externa e a dor interna. O amarelo, nesse sentido, é um lembrete urgente: precisamos olhar antes que seja tarde, precisamos acolher antes que alguém desista.
O convite ao perdão e ao auto perdão
Se você chegou até aqui, esta mensagem é também para você: independentemente do comportamento do outro, trabalhe o perdão. Guardar rancores e mágoas corrói a alma. Mas acima de tudo, é o auto perdão que precisa ser cultivado. Perdoar a si mesmo é reconhecer a humanidade das próprias falhas, é permitir recomeços, é soltar os pesos que impedem de seguir.
O Setembro Amarelo nos lembra que viver é um ato de coragem diária. E perdoar, seja ao outro ou a si, é abrir espaço para a vida florescer novamente.
Ser agentes de afeto
O suicídio é um fenômeno complexo, sem uma única causa, mas existe algo que todos podemos fazer: ser agentes de afeto onde estivermos. Uma palavra de encorajamento, um gesto de cuidado, um olhar que acolhe, um abraço que diz “você importa”. Pequenos atos têm o poder de mudar destinos.
Cada palavra que você pronuncia pode abrir ou fechar portas. Cada atitude pode ser ponte ou muro. Escolher ser ponte é escolher ser vida.
Uma convocação para todos nós
A mensagem do Setembro Amarelo não deve se encerrar no mês de setembro. Ela precisa nos acompanhar diariamente, porque nunca sabemos a batalha que alguém ao nosso lado está travando em silêncio.
Por isso, que tal assumir este compromisso?
Com você mesmo: cuide-se, respeite seus limites, pratique o auto perdão.
Com os outros: ofereça presença, escuta e acolhimento.
Com a sociedade: seja voz que rompe silêncios e abre caminhos de esperança.
Seja um de nós.
Continue a abrir portas de esperança a cada palavra, a cada gesto, a cada cuidado.
O mundo precisa de pessoas que escolhem ser agentes de afeto.
A vida agradece.
POR MARIANA RAMOS
