Da tribuna, Sargento Cristiane expõe ataques de Eduardo Todo e diz: ‘Isso é típico de um homem agressor’
Itaperuna 02 de setembro de 2025
A sessão da Câmara Municipal de ontem foi marcada por um acalorado embate entre a vereadora Sargento Cristiane e o vereador Eduardo do Toldo. Da tribuna, Cristiane respondeu a ataques que, segundo ela, ultrapassaram o campo político e atingiram sua honra pessoal, profissional e também o respeito às mulheres que atuam na vida pública.
“Típico de um homem agressor”
Cristiane iniciou sua fala lembrando que não pôde se manifestar na sessão anterior devido ao regimento interno da Casa, mas que desta vez faria questão de expor sua resposta. A vereadora relatou que o colega teria afirmado que ela envergonhava a Polícia, que precisava de um psiquiatra e que não respeitava a família.
Ela destacou que o parlamentar sequer se refere a ela pelo nome, o que, em sua visão, é uma forma de tentar desmerecê-la como mulher:
“Ele tenta me diminuir enquanto profissional, dizendo que eu não teria capacidade de estar aqui, que só estou nesse cargo por ser irmã do deputado estadual Jair Bittencourt. Isso é típico de um homem agressor”, disse.
Falas contra outras mulheres e contra a Casa
Durante o discurso, Cristiane lembrou ainda que, em outras ocasiões, o vereador tentou desmerecer a secretária de Educação, Alice, e a secretária de Obras, Mônica Alceno, além de ter feito ofensas direcionadas ao empresário Aloysio Júnior.
A vereadora ressaltou que as atitudes de Eduardo Toldo ofendem não apenas a ela, mas também a própria Câmara Municipal, lembrando que o pai do vereador já foi membro da Casa.
Setembro Amarelo e a gravidade do discurso
Um dos momentos mais fortes do pronunciamento foi quando Cristiane relacionou as falas do colega ao Setembro Amarelo, campanha nacional de valorização da vida e prevenção ao suicídio.
Segundo ela, ao insinuar que deveria procurar um psiquiatra, o vereador não apenas a atacou pessoalmente, mas também lançou uma mensagem perigosa em um período de conscientização tão importante:
“Esse tipo de preconceito é o que faz muitas pessoas não buscarem ajuda. Esse tipo de fala é o que leva pessoas a desistirem da vida. E, partindo de um representante da sociedade, é ainda mais grave”, declarou.
Cristiane frisou que a saúde mental deve ser tratada com seriedade, e que utilizar esse tema em tom de deboche ou ataque político é uma atitude vexatória e irresponsável.
Resistência e denúncias
A parlamentar também revelou que recebeu ameaças em redes sociais, supostamente feitas pelo irmão do vereador, e apresentou registro da ocorrência na delegacia.
“Ameaças não me intimidam. Se eu tivesse medo de bandido, eu não era policial militar”, afirmou.
Ela reforçou que não aceitará ter sua trajetória diminuída nem sua patente de segundo sargento da Polícia Militar desrespeitada.
“Não vou deixar homem nenhum me diminuir”, concluiu.
Violência política de gênero em debate
O pronunciamento da vereadora recoloca em pauta a discussão sobre a violência política de gênero, que se manifesta em atitudes que buscam descredibilizar mulheres no exercício de seus mandatos. Ao trazer sua denúncia para dentro do plenário, Cristiane não apenas se defendeu, mas também alertou para um problema estrutural: a tentativa de silenciar e desqualificar mulheres na política.
Ao conectar o episódio ao Setembro Amarelo, a vereadora reforçou que discursos de ataque à saúde mental não podem ser normalizados, especialmente quando vindos de autoridades que deveriam zelar pela dignidade e pelo bem-estar da sociedade.
