Artigo de Utilidade Pública – O que Fazer Quando Alguém ao Seu Lado Entra em Surto?
Itaperuna 23 de agosto de 2025
“Se a dor do outro não te comove, talvez o seu adoecimento seja maior que o dele: a mão que filma e compartilha é a mesma mão que liga pro SAMU e salva uma vida.”
Essa frase nos convida a olhar para além de nós mesmos e refletir sobre nossa responsabilidade coletiva na promoção da saúde mental.
O que é Surto e o que é Crise?
• Surto: é um episódio agudo em que a pessoa perde, parcial ou totalmente, a noção da realidade. Pode apresentar delírios, alucinações, agitação intensa, medo extremo. comportamento desorganizado, podendo chegar também a se colocar ou colocar o outro em risco.
• Crise: refere-se a um momento de intensa instabilidade emocional ou comportamental, podendo estar relacionada a transtornos psiquiátricos, uso de substâncias ou situações de extremo estresse.
Em ambos os casos, a pessoa necessita de atenção e cuidado imediato, pois se trata de uma condição de Saúde Pública.
Como Reconhecer um Surto?
Alguns sinais de que uma pessoa pode estar em surto:
• Fala desconexa ou acelerada, difícil de acompanhar (não compreendemos o que a pessoa diz)
• Agressividade repentina, sem motivo aparente (quando a pessoa altera o comportamento e se autolesa ou lesa o outro).
• Comportamento de risco (autoagressão ou agressão a outros).
• Alucinações (falar sozinho, responder a vozes ou estímulos que não existem, ver e ouvir vozes) e delírio (pensamentos e leitura de situações que não condizem com fatos reais)
• Olhar perdido, confusão mental intensa.(desconexão com a realidade)
• Ansiedade extrema, desorganização de movimentos, e sensação de morte eminente (alterações comportamentais e,
• Se colocar em risco de vida ou colocar as outras pessoas (perder a noção das consequências das suas atitudes)
• Paralisação ou congelamento do comportamento como uma “estátua de cera”, podendo ficar com olhar fixo, semblante parado, sem contato visual ou reatividade emocional, rigidez extrema corporal.
• Desinibição e comportamento inadequado, incluindo a retirada das roupas e ter comportamentos que sejam completamente inadequados ao contexto que se está inserido.
• Alterações graves de pensamento e de comportamento, sem aceitar intervenções de pessoas próximas ou profissionais que se relaciona com as pontuações anteriores.
O que fazer diante de alguém em surto tirando a roupa?
• Não julgar nem ridicularizar: lembre-se que se trata de um quadro de saúde mental.
• Manter distância segura, evitando confrontos físicos diretos.
• Chamar ajuda especializada (ligar 192 para o SAMU e, encaminhar ao PU, que conta com equipe de saúde mental).
• Preservar a dignidade da pessoa: evitar filmagens e exposição, proteger com um lençol ou peça de roupa, se possível.
OBS: Nem sempre as pessoas em surto serão pacíficas, quando uma pessoa está em surto é importante ir com humanização, porém com distância segura, caso a pessoa não aceita a sua orientação é importante acionar o profissional de Saúde Mental. Pessoas em surto ficam agressivas e por este motivo se faz necessário intervenção dos dispositivos qualificados.
O que Fazer em Itaperuna em Caso de Surto?
Se você estiver em Itaperuna e presenciar alguém em surto:
- Ligue 192 para acionar o SAMU.
- O paciente será encaminhado ao Posto de Urgência (PU), que conta com equipe multiprofissional especializada em Saúde Mental.
- No PU, Há a presença de um enfermeiro 24 horas, e, há médica psiquiatra na equipe, que avalia e intervém conforme a demanda de cada caso.
- O paciente pode permanecer até 72 horas em observação e, após avaliação, será direcionado para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do município ou outro dispositivo indicado.
OBS: É importante esclarecer que a participação da família como um agente de tranquilidade e de apego seguro faz toda diferença na condução deste momento, é importante avaliar que a evolução do paciente é subjetiva e, questões de Saúde Mental não são resolvidas com rapidez pois envolvem emoções, comportamentos e decisões, por este motivo a paciência e a observação são os principais componentes de manejo de surto ou crise.
A Rede de Saúde Mental (RAPS) de Itaperuna:
• CAPS II – Centro de Atenção Psicossocial Psicossocial – Atendimento a transtornos mentais graves e persistentes, acima de 18 anos.
• CAPS AD – Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas -Atenção especializada em álcool e outras drogas, acima de 18 anos.
• CAPSi – Centro de Atenção Psicossocial Infanto Juvenil – Atendimento a crianças e Adolescentes com Transtornos Mentais, de 0 a 18 anos.
• Ambulatório Ampliado de Saúde Mental.
• CAASSITA – Centro de Atenção aos Autistas da secretaria de Saúde de Itaperuna – Atenção a pessoas com TEA(Transtorno do espectro Autista).
• Residências Terapêuticas – uma masculina e uma feminina.
• PU (Posto de Urgência) – Porta de entrada em Casos de Crise.
Responsabilidade Coletiva:
Um surto não é apenas um problema individual: é uma questão coletiva. A mesma mão que filma e expõe alguém em sofrimento nas redes sociais poderia ser a mão que salva uma vida, ligando para o SAMU e oferecendo ajuda.
É fundamental entender que:
• Todos nós somos vulneráveis a transtornos mentais, independentemente de classe social, religião, gênero, raça ou escolaridade.
• Expor alguém em sofrimento é tão invasivo quanto filmar um paciente com câncer terminal e compartilhar.
• Compartilhar vídeos de pessoas em surto pode causar traumas adicionais, reforçando o estigma e até mesmo favorecendo novos surtos quando a pessoa se vê exposta.
Um Chamado à Sociedade
Profissionais de Saúde Mental já enfrentam grandes desafios: acolher, estabilizar e acompanhar pacientes. Mas sozinhos não dão conta. É preciso que a sociedade compreenda que cuidar é um ato coletivo.
Você, leitor, pode ser agente de promoção da saúde mental agora mesmo:
• Não exponha.
• Não julgue.
• Peça ajuda profissional.
• Seja presença cuidadosa.
A clínica da Saúde Mental exige paciência, tolerância e humanidade. Precisamos estar juntos nessa missão. Se você presenciar alguém em crise, lembre-se: ligar para o 192 pode salvar uma vida.
E nunca esqueça:
“A dor do outro é também um chamado à nossa humanidade. Não sabemos o dia de amanhã.”
Por Dra. Mariana Ramos Psicóloga e Neuropsicóloga formada com licenciatura e bacharelado, mestre em Psicologia pelaUniversidade Católica de Petrópolis (UCP) e Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, Psiquiatria com Ênfase em Saúde Mental, Neuropsicopedagogia Reabilitação
Neuropsicológica. Atua como Docente Universitária e Supervisora clínica na Afya Itaperuna/RJ.
FORMAÇÃO, CIÊNCIA E PRÁTICA
