Fim de linha para Washington Reis: Bacellar exonerou, Castro confirmou e Bolsonaro selou apoio ao novo projeto da direita no Rio
Itaperuna 09 de julho de 2025
A crise no alto escalão do governo estadual do Rio de Janeiro ganhou desfecho nesta semana, revelando o novo equilíbrio de forças dentro da direita fluminense. O presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar (União Brasil), saiu fortalecido da disputa que culminou na exoneração de Washington Reis (MDB) da Secretaria de Transportes. O governador Cláudio Castro (PL), mesmo desconfortável com a forma como a saída foi conduzida, decidiu manter a demissão e selar a paz com Bacellar. A cereja do bolo veio de Brasília: Jair Bolsonaro orientou seus aliados a não se envolverem na briga e reafirmou apoio à pré-candidatura de Bacellar ao governo do estado em 2026.
A movimentação consolidou Bacellar como o nome mais promissor da direita fluminense no próximo ciclo eleitoral. Durante uma reunião com mais de 30 deputados da base aliada, na quarta-feira (7), o secretário de Governo, André Moura, leu uma carta em nome de Castro, comunicando que Reis não voltaria ao cargo. Apesar de considerar o ato de Bacellar intempestivo, o governador admitiu que a exoneração já vinha sendo discutida e era cobrada por partidos aliados. Ou seja, Washington já estava por um fio — Bacellar apenas cortou.
O gesto foi interpretado como uma tentativa de Bacellar marcar território e reforçar seu protagonismo dentro da estrutura estadual. E funcionou. Ao manter a demissão, Castro evitou um embate direto com o presidente da Alerj, reconheceu sua força política e ainda garantiu estabilidade na Assembleia. O encontro terminou com aplausos para ambos, num gesto simbólico de reconciliação e unidade governista — pelo menos por ora.
Enquanto isso, o ex-presidente Jair Bolsonaro, segundo informações do portal Agenda do Poder, orientou sua base a não comprar briga com Bacellar. De acordo com aliados, Bolsonaro avaliou que Washington Reis provocou o conflito e se desgastou ainda mais ao se aproximar do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), potencial adversário da direita nas urnas e aliado do presidente Lula (PT). A avaliação é de que o tempo político de Reis passou. Sua inelegibilidade pesa, e sua movimentação recente levantou desconfiança no núcleo bolsonarista.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), inicialmente envolvido na tentativa de reconciliação entre Reis e Bacellar, também mudou de tom. Após reunião com Bacellar, reforçou o apoio à sua pré-candidatura. Segundo apuração da colunista Bela Megale (O Globo), o clã Bolsonaro manterá o respaldo ao presidente da Alerj — com a condição de indicar o vice em uma eventual chapa em 2026, garantindo espaço direto no próximo governo estadual, caso eleitos.
A exoneração de Washington Reis marcou o fim de uma era dentro da base governista e abriu caminho para uma nova configuração de poder. Cláudio Castro, que deve deixar o cargo para disputar o Senado, selou uma aliança estratégica com Bacellar, que pode vir a ser seu sucessor. Com o aval de Bolsonaro e da maioria da base, o recado está dado: Bacellar está no jogo grande. E Reis, pelo menos por enquanto, está fora.
Fontes: Tempo Real, O Globo (Bela Megale), Agenda do Poder.
