Notícias Gerais

Barulho em escola particular de Itaperuna incomoda moradores: idosos e autistas relatam crise de saúde com ruídos da quadra

Itaperuna 23 de junho de 2025

Moradores relatam som excessivo vindo da quadra do Colégio Único durante eventos escolares. Direção nega exageros, mas imagem obtida pelo blog contradiz parte da versão.

Uma denúncia encaminhada à redação do Blog Flávia Pires acendeu o alerta sobre a convivência cada vez mais delicada entre moradores de um bairro residencial de Itaperuna e as atividades promovidas por uma escola particular da região. Segundo relatos recebidos por nossa equipe, o barulho oriundo da quadra do Colégio Único tem gerado transtornos significativos à vizinhança — especialmente entre idosos e pessoas com autismo, que seriam os mais sensivelmente afetados.

A principal queixa refere-se ao volume elevado durante atividades escolares, como o uso de megafones, vuvuzelas e gritos constantes em eventos realizados na quadra frontal da unidade. Os moradores afirmam que o barulho se repete há meses, mas que nas últimas semanas — por conta da realização do evento “Interclasses” — os ruídos se intensificaram de forma insustentável.

Meu familiar é autista e entra em crise com o barulho. É gritaria, som alto, apitos. Isso acontece em plena manhã e às vezes até no meio da tarde. Chega a ser desumano”, relatou um morador que pediu anonimato por temer represálias.

Tem idosos aqui que precisam descansar, tomar remédios, fazer fisioterapia em casa. É uma vizinhança pacata que virou palco de um festival diário de barulho”, reforçou outro morador.

O que diz a escola?

Procurada pela reportagem, a diretora da escola, professora Catarina, respondeu por meio de nota oficial que as atividades ocorreram apenas em horários específicos, durante o evento escolar anual “Interclasses”:

Na primeira semana usamos o Espaço Esportivo Único e, na segunda, a quadra em frente à escola com os alunos do Ensino Fundamental 1 – séries iniciais. É natural que o barulho das crianças, suas manifestações de alegria e entusiasmo, incomodem aos vizinhos, porém este movimento começou sempre às 10h e finalizou às 11h30; e na parte da tarde, entre 15h e 16h30. Nada fugiu do controle dos professores e coordenadores da escola. Causou-me estranheza as acusações de uso de vuvuzelas, dando-me a ideia de que o barulho aconteceu após as 22h, o que não ocorreu.”

Apesar da explicação da escola, uma imagem encaminhada por moradores à redação do blog mostra movimentação intensa na quadra da frente da escola às 9h43 da manhã desta segunda-feira (23/06/2025) — ou seja, antes do horário informado oficialmente.

Na foto, é possível observar dezenas de crianças uniformizadas participando das atividades, o que confirma parte das queixas dos moradores quanto ao início precoce do barulho.

“Nem são só os eventos. A rotina de barulho acontece o ano todo. Só agora, com esse campeonato deles, ficou ainda mais agressivo”, comentou uma moradora.

Aspectos legais e sensoriais

Segundo o artigo 42 da Lei de Contravenções Penais (Decreto-Lei nº 3.688/41), é infração “perturbar o sossego alheio com gritaria, algazarra ou uso abusivo de instrumentos sonoros”. A legislação brasileira também garante, na Lei 13.146/2015 (Lei Brasileira de Inclusão), que pessoas com deficiência — incluindo autistas — tenham direito à proteção contra estímulos sensoriais que comprometam sua saúde física ou emocional.

Ainda que escolas tenham função social indiscutível, especialistas em direito urbanístico afirmam que instituições localizadas em zonas estritamente residenciais devem adequar seu funcionamento aos limites legais de convivência com a comunidade, inclusive com isolamento acústico ou horários regulados para eventos esportivos.

Até o momento, a escola não foi formalmente notificada por órgãos públicos, mas os moradores informaram que não descartam procurar o Ministério Público ou a Ouvidoria Municipal caso a situação persista. A expectativa é que a divulgação do caso incentive o diálogo e o bom senso entre as partes, sem necessidade de medidas judiciais.

O Blog Flávia Pires permanece acompanhando o caso e à disposição para novos esclarecimentos por parte da escola ou dos órgãos competentes.

Nota da Redação:

A diretora menciona em sua resposta que causaram-lhe estranheza os relatos envolvendo o uso de vuvuzelas e a insinuação de atividades após as 22h. No entanto, cabe esclarecer que em nenhum momento o Blog Flávia Pires afirmou que os eventos ocorreram nesse horário, tampouco caracterizou como fato o uso de vuvuzelas.

As informações reproduzidas na matéria referem-se a relatos feitos diretamente por moradores, que mencionaram a utilização de apitos, gritos e instrumentos sonoros como fontes de incômodo. O blog apenas colheu e registrou essas manifestações dentro do compromisso com o jornalismo local de ouvir todas as partes envolvidas e zelar pela transparência das informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *