A Arte de Começar Bem
Itaperuna 26 de março de 2025
Numa cidade onde política e café coado caminham lado a lado, cada nova eleição traz consigo a promessa de renovação. Rostos novos surgem, discursos inflamados tomam as ruas e a esperança de mudança se espalha como o cheiro da terra depois da chuva. Mas algumas tradições, ao que parece, sobrevivem a qualquer ventania.
Um novato, ao chegar à Câmara, pode até se surpreender com as burocracias, os discursos ensaiados e o ritmo das sessões. Mas há algo que ele aprende rápido: um mandato bem aproveitado não se faz sozinho. E o que pode ser melhor do que contar com quem já conhece a rotina de casa para ajudar a tocar a máquina pública?
Pouco tempo depois da posse, as oportunidades começam a surgir. E não demora para que um sobrenome conhecido apareça na folha de pagamento da UBS do bairro. Depois, outro. Coincidência? Competência? Apenas uma feliz junção do destino? Quem sabe? O fato é que, mesmo quando se fala em renovação, certas práticas continuam tão firmes quanto os postes que sustentam as bandeiras da última campanha.
Entre uma consulta e outra, moradores comentam em tom meio cético, meio conformado: “Entendeu rápido o jogo, né?”. E assim segue o ciclo da política local. Para alguns, o primeiro mandato é um aprendizado. Para outros, uma oportunidade de começar bem – para si e para os seus.
E as demandas do povo, vamos colocar vendas nos olhos e dizer a imprensa que é mentira que tudo foi resolvido.
O preço da liberdade é a eterna vigilância