Atenção- Politicagem na saúde pública: como interesses políticos prejudicaram o acesso a exames em Itaperuna-RJ
Itaperuna 04 de dezembro de 2024
A saúde pública, um direito fundamental garantido pela Constituição, se tornou vítima de interesses políticos na gestão do prefeito Alfredão. Durante esse período, o controle das marcações de exames médicos esteve centralizado nas mãos de vereadores, que usaram essa prerrogativa como moeda de troca, comprometendo o acesso de grande parte da população aos serviços de saúde.
Uma saúde controlada pela política
Relatos de moradores de Itaperuna revelam uma prática preocupante: apenas os vereadores tinham acesso às marcações de exames pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em vez de garantir que todos os cidadãos tivessem acesso igualitário aos serviços, a centralização desse controle nas mãos de poucos resultou em uma gestão ineficiente e excludente.
Pacientes relatam casos em que vereadores perderam comprovantes de agendamento, deixando cidadãos sem acesso aos seus exames. Aqueles que não possuíam contatos políticos eram simplesmente esquecidos, enquanto outros conseguiam marcar exames através de acordos pessoais ou apoio político. Essa prática não só prejudicou o atendimento da população mais vulnerável, como também reforçou a desigualdade no acesso à saúde.
Impactos diretos no sistema de saúde
O resultado dessa gestão política foi um colapso no sistema. Com 30% de absenteísmo nos exames agendados, muitas vagas foram desperdiçadas, enquanto outros pacientes continuaram esperando por atendimento. Além disso, a falta de organização e transparência aumentou a frustração da população, que enfrentava dificuldades para agendar exames simples, como os de sangue.
A tabela abaixo (apenas exame de sangue) exemplifica o índice de ausências registrado entre janeiro e abril de 2024, de acordo com dados da Secretaria de Saúde:
Esses números refletem como a interferência política contribuiu diretamente para a ineficiência do sistema e o desperdício de recursos públicos.
A responsabilidade compartilhada
Embora os vereadores tenham sido os principais responsáveis por essa gestão centralizada e politizada, é impossível ignorar que essas práticas ocorreram com a conivência da administração municipal. A falta de fiscalização e de um sistema informatizado para marcações permitiu que essa situação se perpetuasse, prejudicando a saúde da população.
Lições para o futuro
A saúde pública deve ser gerida com transparência, equidade e foco no bem-estar da população. O uso político de serviços básicos, como marcações de exames, fere o princípio da universalidade do SUS e compromete a confiança no sistema público.
É fundamental que o próximo ciclo administrativo implemente ferramentas tecnológicas que descentralizem o acesso às marcações, garantindo que todos os cidadãos tenham igualdade de condições para utilizar os serviços de saúde, sem depender de favores políticos.
A população de Itaperuna merece uma gestão que priorize a saúde como um direito e não como um instrumento de politicagem. A pergunta que fica é: até quando o interesse político será colocado acima da saúde pública?
Relembre clicando no link: https://flaviapires.net.br/2024/05/exames-de-sangue-pelo-sus-em-itaperuna-desafios-de-agendamento-e-participacao/
Cabe ao cidadão itaperunense ficar de olhos bem abertos nas movimentações dos Vereadores eleitos e reeleitos para o novo pleito.
ATUALIZAÇÃO:
Após novos esclarecimentos sobre o sistema de saúde em Itaperuna, foi destacado que o recurso tecnológico implementado para a descentralização de marcações de exames e serviços funcionou perfeitamente, cumprindo seu papel técnico e facilitando o processo para os usuários.
No entanto, o problema residia na atenção básica à saúde, que é responsável pelo gerenciamento das agendas nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde). Essa gestão, que deveria identificar falhas e apresentar soluções, acabou comprometendo o acesso igualitário às vagas, especialmente devido à influência política nas indicações de funcionários e no controle das marcações.
Isso reforça a necessidade de aprimorar o gerenciamento da saúde básica, garantindo que todos os cidadãos tenham acesso pleno e justo aos serviços públicos de saúde. Seguimos acompanhando o tema para trazer informações que estimulem mudanças positivas.